CID-10 A30

Hanseníase [doença de Hansen] [lepra]

Capítulo: Capítulo I - Algumas doenças infecciosas e parasitárias • Grupo: Outras doenças bacterianas

Visão geral

O código CID-10 A30 refere-se à Hanseníase, historicamente conhecida como lepra. Trata-se de uma doença infecciosa crônica, de evolução lenta, causada por uma bactéria que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos do corpo. Embora seja uma condição muito antiga e que já carregou grande estigma social, hoje a hanseníase tem cura total e seu tratamento é totalmente gratuito e acessível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A infecção compromete a capacidade dos nervos de transmitir sensações, o que pode fazer com que a pessoa perca a sensibilidade ao calor, à dor e ao tato em certas regiões da pele. A transmissão ocorre por meio de secreções respiratórias (como gotículas de fala, espirro ou tosse), durante o convívio próximo e prolongado com uma pessoa doente que ainda não iniciou o tratamento. É importante destacar que a grande maioria da população possui defesas naturais contra essa bactéria e não adoece mesmo exposta a ela.

Com a identificação precoce e o início do esquema terapêutico adequado, as transmissões são interrompidas em poucos dias e previnem-se complicações sérias ou incômodos permanentes. Lembre-se: o conteúdo desta página é estritamente informativo. Apenas um profissional de saúde pode realizar a avaliação clínica e confirmar um diagnóstico.

Sintomas comuns

  • Manchas na pele de cor esbranquiçada, avermelhada ou castanha, com diminuição ou perda de sensibilidade térmica, dolorosa e tátil
  • Sensação de formigamento, dormência ou fisgadas nas mãos, pés e braços
  • Diminuição da força muscular nas mãos e pés, podendo afetar a capacidade de segurar objetos
  • Presença de caroços (nódulos) ou inchaços na pele, especialmente na face e nas orelhas
  • Pele seca com perda de pelos nas áreas afetadas pelas manchas
  • Nervos periféricos doloridos, espessados ou sensíveis ao toque (como no cotovelo ou joelho)

Causas e fatores de risco

  • Infecção pela bactéria Mycobacterium leprae (também chamada de bacilo de Hansen)
  • Contato frequente e prolongado (como residir no mesmo domicílio) com pessoa infectada que não esteja em tratamento
  • Fatores de suscetibilidade imunológica individual

Diagnóstico

O diagnóstico da hanseníase é fundamentalmente clínico e dermatoneurológico. Durante a consulta, o profissional de saúde examina minuciosamente as lesões na pele e realiza testes simples de sensibilidade para verificar se o paciente distingue sensações de calor, frio, dor e toque leve nessas áreas. Também é feita a palpação dos nervos para identificar dores ou espessamentos. Caso haja dúvidas ou necessidade de definir a forma clínica exata da doença, o médico pode solicitar exames complementares, como a baciloscopia (coleta de fluido da pele ou da orelha) e, em casos específicos, uma biópsia de pele.

Tratamento

O tratamento para a hanseníase é totalmente gratuito no SUS e feito por meio da Poliquimioterapia (PQT), que combina diferentes antibióticos muito eficazes no combate à bactéria. O tempo de tratamento varia de 6 a 12 meses, a depender da classificação da doença (se é de poucos ou muitos bacilos). Assim que as primeiras doses dos medicamentos são ingeridas, a transmissão do bacilo é interrompida, permitindo que o paciente continue com sua rotina normal de trabalho e rotina familiar. Além dos remédios, são recomendados exercícios e orientações para proteger as áreas com sensibilidade reduzida e evitar lesões.

Quando procurar ajuda

Procure atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima ao notar qualquer mancha na pele que apresente alteração de sensibilidade (como não sentir o toque ou queimaduras leves), caroços pelo corpo ou sensação de dormência contínua nas mãos e pés. O diagnóstico precoce é a chave para a cura sem sequelas.

Perguntas frequentes

A hanseníase tem cura?

Sim, a hanseníase tem cura completa quando o tratamento antibiótico é seguido até o fim, conforme orientação médica.

Qual a diferença entre lepra e hanseníase?

Trata-se da mesma doença. O termo 'hanseníase' foi adotado no Brasil para combater o preconceito e a discriminação historicamente associados à palavra 'lepra'.

O paciente precisa ser isolado durante o tratamento?

Não. Logo no início do tratamento a pessoa deixa de transmitir a bactéria, não havendo qualquer necessidade de isolamento.

O tratamento da hanseníase é gratuito?

Sim, todo o diagnóstico, acompanhamento e medicação (Poliquimioterapia) são fornecidos gratuitamente pelo SUS em todo o país.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Apenas um profissional habilitado pode confirmar o diagnóstico.