CID-10 A71

Tracoma

Capítulo: Capítulo I - Algumas doenças infecciosas e parasitárias • Grupo: Outras doenças causadas por clamídias

Visão geral

O código CID-10 A71 refere-se ao Tracoma, uma doença infecciosa e inflamatória nos olhos causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Trata-se de uma condição crônica que afeta a conjuntiva (a membrana transparente que cobre a parte branca do olho) e a córnea. O tracoma é considerado a principal causa infectocontagiosa de cegueira evitável no mundo, sendo mais comum em áreas com saneamento básico precário e acesso limitado à água potável.

A infecção geralmente se inicia na infância e, quando ocorre repetidamente ao longo dos anos sem o devido tratamento, causa cicatrizes na parte interna da pálpebra. Com o tempo, essas cicatrizes podem deformar a pálpebra, fazendo com que os cílios se dobrem para dentro e passem a raspar continuamente no olho. Esse atrito constante causa lesões dolorosas na córnea, opacificação da visão e, em casos graves, perda permanente da capacidade visual.

A transmissão acontece principalmente pelo contato direto de pessoa para pessoa, através do toque em secreções dos olhos ou do nariz de indivíduos infectados, ou indiretamente por meio de objetos contaminados, como toalhas, lenços e fronhas. Em algumas regiões, moscas também podem atuar como vetores da bactéria. A conscientização e os cuidados com a higiene pessoal são vitais para interromper esse ciclo.

Lembre-se: este conteúdo é puramente informativo. Apenas a avaliação médica profissional pode confirmar o diagnóstico e orientar o plano de tratamento correto para a sua saúde ocular.

Sintomas comuns

  • Coceira e irritação nos olhos e nas pálpebras
  • Secreção ocular contendo muco ou pus
  • Inchaço leve das pálpebras
  • Sensibilidade aumentada à luz (fotofobia)
  • Dor ou desconforto ocular
  • Sensação de areia ou corpo estranho nos olhos
  • Cílios virados para dentro raspando o olho (em estágios avançados)

Causas e fatores de risco

  • Infecção pela bactéria Chlamydia trachomatis (sorotipos A, B, Ba e C)
  • Contato direto com secreções oculares ou nasais de pessoas infectadas
  • Compartilhamento de objetos de uso pessoal, como toalhas, lenços e fronhas
  • Condições precárias de higiene e falta de água limpa para lavar o rosto
  • Presença de moscas que transportam a bactéria de uma pessoa para outra
  • Viver em ambientes com alta aglomeração e saneamento básico inadequado

Diagnóstico

O diagnóstico do tracoma é fundamentalmente clínico e é realizado por um médico oftalmologista ou profissional de saúde capacitado. O exame é feito com o auxílio de uma lupa de aumento ou lâmpada de fenda para examinar cuidadosamente a superfície do olho e o interior das pálpebras, buscando por folículos (pequenos caroços), inflamação ou cicatrizes características. Em situações específicas ou para fins de vigilância epidemiológica, o profissional pode realizar a coleta de amostras da secreção conjuntival com um swab para testes laboratoriais. No entanto, a identificação visual dos sinais clínicos costuma ser suficiente para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento de forma rápida.

Tratamento

O tratamento do tracoma segue diretrizes globais focadas em combater a infecção e prevenir complicações. Nas fases ativas e iniciais da doença, é indicado o uso de antibióticos específicos (geralmente azitromicina em dose única ou pomadas oftálmicas) para eliminar a bactéria. Em muitas comunidades endêmicas, o tratamento antibiótico pode ser estendido aos familiares ou à população local para interromper a circulação do agente infeccioso. Nos casos mais avançados, onde já ocorreu a deformidade da pálpebra e os cílios estão raspando a córnea (triquíase tracomatosa), é necessária uma pequena cirurgia pálpebral. Essa intervenção reposiciona os cílios para fora, aliviando a dor e prevenindo a opacificação da córnea e a cegueira. A melhoria da higiene facial diária e do saneamento básico são pilares essenciais para evitar a reinfecção.

Quando procurar ajuda

Você deve procurar atendimento médico assim que perceber sinais de irritação ocular persistente, secreção nos olhos, vermelhidão ou sensação de areia, especialmente em crianças ou se você mora ou visitou locais com relatos de tracoma. Caso note que os cílios estão encostando na superfície do olho, a busca por avaliação médica deve ser imediata para conter danos à visão.

Perguntas frequentes

Tracoma é a mesma coisa que conjuntivite comum?

Não. Embora comece com sintomas semelhantes aos da conjuntivite, o tracoma é causado por uma bactéria específica e, se houver reinfecções constantes sem tratamento, pode levar a cicatrizes graves e cegueira, diferentemente da maioria das conjuntivites comuns.

O tracoma tem cura?

Sim. Quando diagnosticado e tratado precocemente com os antibióticos adequados, o tracoma tem cura completa e complicações de longo prazo na visão podem ser totalmente evitadas.

Como prevenir a transmissão do tracoma em casa?

A prevenção envolve hábitos simples de higiene, como lavar o rosto das crianças com frequência com água limpa, higienizar as mãos e não compartilhar toalhas de rosto, fronhas ou lenços.

O tracoma sempre causa cegueira?

Não. A cegueira só ocorre em casos graves, após anos de reinfecções sucessivas não tratadas que causam deformação na pálpebra. O diagnóstico e o tratamento precoces impedem que a doença chegue a esse estágio.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Apenas um profissional habilitado pode confirmar o diagnóstico.