Capítulo: Capítulo I - Algumas doenças infecciosas e parasitárias • Grupo: Micoses
Visão geral
O código CID-10 B37 refere-se à candidíase, uma infecção fúngica muito comum provocada pelo crescimento excessivo de fungos do gênero Candida, especialmente a espécie Candida albicans. Esse micro-organismo já habita naturalmente o nosso corpo em pequenas quantidades — como na pele, na boca, no trato gastrointestinal e na região genital — vivendo em harmonia com o organismo sem causar problemas quando a saúde está em equilíbrio.
No entanto, quando ocorre uma alteração na flora microbial natural do corpo ou uma queda temporária no sistema imunológico, esse fungo encontra condições favoráveis para se multiplicar além do normal. Esse aumento populacional do fungo gera um processo inflamatório que dá origem aos sintomas característicos da candidíase. A condição pode afetar diferentes partes do corpo, sendo as formas mais frequentes a candidíase vaginal, a candidíase oral (conhecida popularmente como 'sapinho') e as infecções em dobras da pele.
Apesar de causar desconforto e coceira intensa, a candidíase é uma condição benigna na imensa maioria das vezes e responde muito bem aos tratamentos disponíveis. Lembre-se: este conteúdo é puramente informativo. Apenas a avaliação por um médico pode confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento mais seguro e adequado para o seu caso.
Sintomas comuns
Coceira ou prurido intenso na área afetada
Vermelhidão, inchaço e sensibilidade no local
Sensação de queimação ou ardor, especialmente ao urinar ou durante o contato íntimo
Corrimento esbranquiçado, espesso e sem cheiro forte (no caso da candidíase vaginal)
Placas brancas aveludadas na língua ou parte interna das bochechas (candidíase oral)
Pequenas fissuras, rachaduras ou descamação na pele
Causas e fatores de risco
Uso recente de antibióticos, que reduzem as bactérias protetoras da flora corporal
Sistema imunológico enfraquecido por estresse, privação de sono ou doenças
Alterações hormonais, como as que ocorrem durante a gravidez ou em certas fases do ciclo menstrual
Diabetes não controlada ou níveis elevados de açúcar no sangue
Uso prolongado de roupas íntimas sintéticas, apertadas ou trajes de banho molhados
Higiene íntima inadequada ou uso excessivo de sabonetes antissépticos que alteram o pH local
Diagnóstico
O diagnóstico da candidíase é realizado por um profissional de saúde, como ginecologista, dermatologista, clínico geral ou pediatra. Na maioria das vezes, o médico consegue identificar a infecção por meio da conversa sobre os sintomas (anamnese) e da observação direta das lesões ou do corrimento durante o exame físico.
Caso os sintomas sejam recorrentes ou não melhorem com o tratamento inicial, o médico pode coletar uma pequena amostra do local (uma raspagem suave ou um swab) para análise em laboratório. Essa avaliação microscópica confirma a presença do fungo e identifica a espécie exata, garantindo a escolha do medicamento mais eficaz.
Tratamento
O tratamento da candidíase é feito com medicamentos antifúngicos, prescritos pelo médico de acordo com o local afetado e a gravidade da infecção. As opções variam desde tratamentos locais — como cremes, pomadas e óvulos vaginais — até medicamentos administrados por via oral em dose única ou por alguns dias.
Além do uso correto dos remédios, é importante adotar cuidados que favoreçam a recuperação, como manter a região limpa e bem seca, dar preferência a roupas íntimas de algodão mais folgadas e evitar produtos higiênicos perfumados. É fundamental seguir a orientação médica até o fim, mesmo que os sintomas desapareçam nos primeiros dias.
Quando procurar ajuda
Procure atendimento médico se for a primeira vez que você apresenta esses sintomas, se o desconforto for muito intenso ou se não houver melhora após o término do tratamento prescrito. É especialmente importante buscar ajuda médica se você apresentar episódios frequentes de candidíase (quatro ou mais vezes no ano), se estiver grávida, tiver diabetes ou se possuir o sistema imunológico enfraquecido.
Perguntas frequentes
A candidíase é considerada uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST)?
Não. A candidíase é causada por um fungo que já habita naturalmente o organismo humano. Ela surge principalmente por um desequilíbrio na imunidade ou no pH local, e não necessariamente por transmissão sexual.
Homens também podem ter candidíase?
Sim. Embora seja mais frequente em mulheres, a candidíase pode afetar a região genital masculina (causando vermelhidão e coceira na glande), além de surgir na boca ou na pele de homens.
O que é candidíase de repetição?
É quando a pessoa apresenta quatro ou mais episódios de candidíase ao longo de um período de 12 meses. Nesses casos, o médico investiga fatores de risco subjacentes e pode indicar um esquema de tratamento prolongado.
Candidíase tem cura?
Sim, a infecção tem cura e os sintomas costumam desaparecer rapidamente com o tratamento antifúngico correto. No entanto, como o fungo continua vivendo no organismo em níveis normais, novos episódios podem ocorrer se houver futuros desequilíbrios.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Apenas um profissional habilitado pode confirmar o diagnóstico.