CID-10 E73

Intolerância à lactose

Capítulo: Capítulo IV - Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas • Grupo: Distúrbios metabólicos

Visão geral

O código E73 na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) refere-se à Intolerância à Lactose. Essa é uma condição gastrointestinal caracterizada pela incapacidade do organismo de digerir totalmente a lactose, que é o açúcar naturalmente presente no leite e em seus derivados. Não se trata de uma alergia alimentar, mas sim de uma dificuldade metabólica/digestiva ligada à produção insuficiente de uma enzima específica chamada lactase.

A lactase é produzida no intestino delgado e tem a função de quebrar a lactose em açúcares menores (glicose e galactose) para que possam ser absorvidos pela corrente sanguínea. Quando há deficiência dessa enzima, a lactose chega intacta ao intestino grosso, onde é fermentada pelas bactérias da flora intestinal. Esse processo de fermentação gera gases e atrai água, desencadeando sintomas como estufamento, cólicas e diarreia.

A intolerância à lactose é bastante frequente e pode surgir em diferentes fases da vida, apresentando níveis variados de intensidade. Algumas pessoas conseguem consumir pequenas quantidades de laticínios sem desconforto, enquanto outras sentem sintomas com volumes mínimos. O registro do código E73 no prontuário auxilia a equipe de saúde a direcionar a investigação e propor estratégias nutricionais adequadas.

Lembre-se: este conteúdo é puramente informativo. Apenas uma avaliação médica ou nutricional especializada pode confirmar o diagnóstico e orientar o plano de cuidado individualizado.

Sintomas comuns

  • Gases excessivos e estufamento abdominal
  • Cãibras, dores ou cólicas na região da barriga
  • Diarreia (às vezes com urgência para evacuar)
  • Sensação de peso ou queimação no estômago após ingerir laticínios
  • Rulcões (eructações) frequentes
  • Náuseas ou, em casos mais raros, vômitos

Causas e fatores de risco

  • Deficiência primária de lactase (redução natural e gradual da produção da enzima com o avançar da idade)
  • Deficiência secundária de lactase (causada por lesões ou inflamações no intestino, como gastroenterites, doença celíaca ou Doença de Crohn)
  • Deficiência congênita de lactase (condição genética rara na qual o bebê nasce sem a capacidade de produzir a enzima)
  • Fatores genéticos e hereditários que afetam a persistência da lactase na vida adulta

Diagnóstico

O diagnóstico da intolerância à lactose começa com a anamnese médica, onde o profissional avalia o histórico do paciente e a relação direta entre o consumo de laticínios e o aparecimento dos sintomas. É comum que o médico recomende um teste prévio de exclusão, retirando produtos com lactose da dieta por alguns dias para observar se há melhora do quadro. Para confirmação laboratorial, podem ser solicitados exames específicos, como o teste de tolerância à lactose (medição do açúcar no sangue após ingestão de uma dose de lactose) ou o teste do hálito com hidrogênio, que mede os gases liberados pela fermentação do açúcar no intestino.

Tratamento

O manejo da intolerância à lactose visa ao alívio dos sintomas e ao bem-estar digestivo, não exigindo necessariamente a eliminação total dos laticínios. A maioria das pessoas ajusta a dieta reduzindo as porções de leite e queijos ou substituindo-os por versões rotuladas como 'zero lactose', que possuem a enzima lactase adicionada no processo de fabricação. Também é possível utilizar suplementos da enzima lactase em comprimidos, mastigáveis ou gotas, ingeridos imediatamente antes de refeições que contenham leite. O acompanhamento com nutricionista é recomendado para garantir que a restrição de laticínios não leve a deficiências de cálcio e outros nutrientes essenciais.

Quando procurar ajuda

Você deve procurar atendimento médico com um clínico geral ou gastroenterologista se apresentar sintomas gastrointestinais frequentes que atrapalhem sua rotina, se houver perda de peso não explicada, diarreia persistente ou sangue nas fezes. Esses sinais exigem investigação para descartar outras condições de saúde e garantir um plano de tratamento seguro.

Perguntas frequentes

Intolerância à lactose é a mesma coisa que alergia ao leite?

Não. A intolerância é um problema digestivo com o açúcar do leite (lactose). A alergia é uma reação do sistema imunológico às proteínas do leite (como a caseína) e pode ser mais grave.

É possível desenvolver intolerância à lactose depois de adulto?

Sim. É muito comum que a produção da enzima lactase diminua naturalmente no organismo ao longo dos anos, fazendo com que os sintomas surjam na idade adulta.

O uso de comprimidos de lactase vicia ou faz mal?

Não. Os suplementos de lactase apenas repõem temporariamente a enzima no estômago para ajudar a digerir aquela refeição específica, sem causar dependência.

Quem tem intolerância precisa parar de tomar leite para sempre?

Não obrigatoriamente. Hoje existem muitas opções de produtos 'zero lactose' no mercado, além da possibilidade de usar a enzima lactase antes de consumir laticínios tradicionais.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Apenas um profissional habilitado pode confirmar o diagnóstico.