CID-10 N97

Infertilidade feminina

Capítulo: Capítulo XIV - Doenças do aparelho geniturinário • Grupo: Transtornos não-inflamatórios do trato genital feminino

Visão geral

O código CID-10 N97 refere-se à Infertilidade Feminina, uma condição definida pela incapacidade de engravidar após 12 meses ou mais de relações sexuais frequentes, regulares e sem o uso de métodos contraceptivos. Para mulheres com mais de 35 anos, esse período costuma ser reduzido para 6 meses, devido à diminuição natural da reserva ovariana ao longo do tempo. É uma situação relativamente comum que afeta milhões de pessoas no mundo todo e pode gerar grande impacto emocional no casal.

A fertilidade feminina envolve uma sequência complexa de eventos biológicos: os ovários precisam liberar um óvulo saudável, as trompas de Falópio devem permitir que o óvulo e o espermatozoide se encontrem para a fertilização, e o útero precisa estar em condições adequadas para a implantação do embrião. Falhas ou alterações em qualquer uma dessas etapas podem levar ao diagnóstico enquadrado na CID N97.

Receber esse diagnóstico não significa que seja impossível ter filhos. A medicina evoluiu significativamente e hoje dispõe de diversos tratamentos e técnicas de reprodução assistida. Lembre-se: este conteúdo é puramente informativo. Apenas uma avaliação médica minuciosa e individualizada com um ginecologista ou especialista em reprodução humana pode confirmar o diagnóstico e indicar as melhores opções para o seu caso.

Sintomas comuns

  • Dificuldade de conceber após 12 meses de tentativas sem contracepção (ou 6 meses para mulheres com mais de 35 anos)
  • Ciclos menstruais muito irregulares, muito curtos (menos de 21 dias) ou muito longos (mais de 35 dias)
  • Ausência completa de menstruação (amenorreia)
  • Dores pélvicas intensas ou cólicas fortes (geralmente associadas à endometriose ou infecções)
  • Sinais de desequilíbrio hormonal, como crescimento excessivo de pelos corporais, acne severa ou ganho de peso inexplicável

Causas e fatores de risco

  • Distúrbios de ovulação (como a Síndrome dos Ovários Policísticos - SOP e alterações na tireoide)
  • Endometriose (presença de tecido do endométrio fora do útero)
  • Danos ou obstruções nas trompas de Falópio (geralmente decorrentes de doença inflamatória pélvica)
  • Alterações uterinas ou no colo do útero (como miomas, pólipos ou anomalias anatômicas)
  • Diminuição da reserva ovariana relacionada à idade materna avançada
  • Fatores de estilo de vida (como estresse excessivo, tabagismo, consumo de álcool, obesidade ou baixo peso extremo)
  • Infertilidade sem causa aparente (ISCA), quando os exames não revelam uma alteração específica

Diagnóstico

O diagnóstico da infertilidade feminina começa com uma consulta detalhada, em que o médico avalia o histórico de saúde, o ciclo menstrual, o histórico cirúrgico e o estilo de vida da mulher. É fundamental que a investigação inclua também o parceiro, pois os fatores masculinos respondem por cerca de metade dos casos de dificuldade para engravidar. Para identificar as causas específicas da CID N97, o médico solicita exames complementares. Eles geralmente incluem dosagens hormonais no sangue, ultrassonografia transvaginal, teste de reserva ovariana (como o hormônio anti-mülleriano) e a histerossalpingografia, um exame de imagem que avalia a permeabilidade das trompas e a cavidade uterina.

Tratamento

O tratamento da infertilidade é personalizado e depende diretamente das causas identificadas, da idade da mulher e há quanto tempo o casal tenta engravidar. Pode envolver desde o uso de medicamentos para induzir a ovulação até cirurgias minimamente invasivas (como a videolaparoscopia) para remoção de miomas, pólipos ou focos de endometriose. Quando os tratamentos clínicos ou cirúrgicos não são suficientes, o médico pode indicar técnicas de Reprodução Assistida, como a Inseminação Intrauterina (IIU) ou a Fertilização in Vitro (FIV). Além disso, mudanças no estilo de vida, como adotar uma alimentação equilibrada e parar de fumar, desempenham papel crucial no sucesso do tratamento.

Quando procurar ajuda

É recomendável procurar um especialista se você tem até 35 anos e está tentando engravidar há mais de um ano sem sucesso. Se você tem 35 anos ou mais, procure ajuda após 6 meses de tentativas. Mulheres com histórico de menstruação muito irregular, dor pélvica grave, infecções pélvicas prévias ou cirurgias abdominais devem agendar uma avaliação ginecológica mesmo antes de iniciar as tentativas de gravidez.

Perguntas frequentes

Infertilidade e esterilidade são a mesma coisa?

Não. A esterilidade refere-se à incapacidade definitiva e irreversível de conceber. A infertilidade é uma dificuldade de engravidar no momento, que muitas vezes pode ser corrigida ou contornada com tratamentos médicos.

Usar pílula anticoncepcional por muito tempo causa infertilidade?

Não. Os anticoncepcionais hormonais não causam infertilidade. Após a interrupção do método, o ciclo menstrual costuma retornar ao seu padrão natural ao longo de alguns meses.

O parceiro também precisa realizar exames de fertilidade?

Sim. A investigação de infertilidade deve ser sempre feita pelo casal. Alterações no sêmen ou na contagem de espermatozoides do parceiro são causas frequentes de dificuldade para engravidar.

O estresse pode causar infertilidade na mulher?

O estresse crônico pode interferir no equilíbrio hormonal e na frequência do ciclo menstrual, prejudicando a ovulação, mas raramente é a única causa de infertilidade.

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Apenas um profissional habilitado pode confirmar o diagnóstico.